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A Ética Pessoal acima da Ética de Grupo

05/05/2011 21:00

Já dizia o Filósofo Kant “Duas coisas enchem a alma de admiração e respeito, sempre novos e crescentes, com quanto mais freqüência e aplicação a reflexão deles se ocupa: o céu estrelado sobre mim e a lei moral em mim” (Críticas da Razão).
Sabemos que para viver em sociedade, temos que nos adaptar a determinadas regras, as quais são estipuladas de acordo com a cultura, leis e costumes.
Algumas regras são mutáveis com o tempo, outras são aperfeiçoadas e outras para o bem da maioria devem ser preservadas.
Hoje fala-se muito em “Ética de Grupo”, significando que estão incluídos umbilicalmente em determinado grupo. Em um primeiro momento o sentido de tal expressão pode até parecer saudável, mas com um olhar mais detido, pode-se perceber um poder às vezes  até ditatorial, onde o mais forte se sobrepõe ao mais fraco e com isso faz valer a sua própria “ética pessoal”, mesmo que o outro não comungue do mesmo entendimento.
Nas empresas de grande porte, em sua maioria, instituiu-se o modelo integrado, onde em vez de salas e paredes há estações de trabalho, ou seja em uma mesma sala grupos de colegas dividem espaços, vivenciam situações confortáveis ou não, dia após dia. Esse modelo pode levá-los a formar comportamento de grupos (linguagem própria, sinais de identificação, gestual, dentre outros) e a conseqüente pressão sobre os membros do grupo, principalmente os mais novos, para que estes se conformem à “cultura do grupo”.
Porém, independente do contexto em que está inserido, o indivíduo deve sempre atuar de acordo com a sua ética pessoal, com bom senso e com olhos para as mudanças que ocorrem naturalmente na sociedade, sendo que por viver em grupo pode confrontar-se com uma “ética de grupo”, a qual já estabelecida e possivelmente conflitante, com a pressão da escolha entre aceitá-la ou rejeitá-la.
Registre-se que a “ética de grupo” não é melhor ou pior que a ética pessoal do indivíduo, ou vice-versa. Assim, o que deve ficar claro é que os responsáveis pela gestão em organizações devem monitorar não somente as atitudes e comportamento em termos de condutas pessoais, mas também com relação às de grupo.
A história de diversos países fornece uma variedade de exemplos, onde a “ética de grupo” levou ao descrédito organizações inteiras, com escândalos de corrupção endêmica, envolvimento em crime organizado, racismo e discriminação, que estão frequentemente abalando as fundações das grandes organizações ao redor do mundo. Estes exemplos servem para mostrar que as empresas, instituições públicas e privadas devem almejar níveis de ética entre seus colaboradores que efetivamente erradiquem tais comportamentos indesejáveis.
Na realidade não há nada de errado em ser norteado pela “ética de grupo”, o grande problema que existe nesse aspecto é evidenciado quando se percebe que um indivíduo, líder ou colaborador, deixa ao abandono sua ética pessoal, para se filiar aos interesses e pensamentos em massa, seja de um grupo ou de uma liderança que não aceita divergências. O importante então é buscar o equilíbrio, integrando-se a um grupo ou equipe, defendendo os interesses desse coletivo, sem abandonar, em nenhuma hipótese, a ética pessoal, a capacidade de formar opiniões e conceitos próprios, e ainda, de não se curvar a posicionamentos que não sejam compatíveis com tais conceitos individuais.

Autor: *Telma Curiel Marcon, Sócia do Escritório Resina e Marcon Advogados Associados, Pós-Graduada em Direito das Obrigações pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS.
telma@resinamarcon.com.br

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