26.09.2016 Artigo

A CRISE É MORAL!

                                                         A CRISE É MORAL!
                                                                                  *Eduardo Marques de Souza Costa Junior
Nos debates públicos atuais, tanto no Brasil, quanto no mundo, ouvimos as palavras “direita” e esquerda” eternizadas nas discussões políticas. Diversos militantes, oriundos de todas as classes econômicas conhecidas nos âmbitos sociais, tomam partido dos conceitos ideológicos oferecidos pela tal “direita” e pela tal “esquerda”, muitas vezes sem questionar, não apenas as ideologias de maneira aplicada, mas todos os outros fatores que poderiam, de alguma forma, intervir nos resultados propostos pelas tais.
A partir de um apanhado histórico e ideológico, percebe-se que, ao longo do tempo, o surgimento das diversas políticas econômicas foi intencionado em resolver os problemas advindos da política anterior, como em um processo de maturação, que consiste em concertar os erros e manter os acertos da história.
Entretanto, é possível observar que todas estas políticas foram construídas na intenção de agregar soluções aos efeitos causados pelos erros cometidos nestas políticas e não as reais causas destes erros.
A partir de uma análise mais profunda destes modelos, é possível enxergar que todos eles tiveram declínios por conta da má conduta daqueles que tinham a responsabilidade de fazer com que dessem certo.
Nos ideais de direita, por exemplo, o problema foi o próprio povo, que tinham a responsabilidade de fazer com que o País ascendesse economicamente através de sua livre iniciativa, mas, ao invés disso, decidiram, a partir de um anseio desenfreado e egoístico, abusar das liberdades que lhes foram concedidas, invadindo os direitos sociais e coletivos e, muitas vezes invadindo também, os direitos individuais daqueles que ainda não tinham alcançado um nível de ascensão equivalente, fazendo com que houvesse uma desigualdade meritocrática muito expressiva.
Não foi diferente nas políticas defendidas pelos esquerdistas. Aqueles que tinham a responsabilidade de intervir nos abusos que os liberais estavam cometendo, acabaram por abusar da integridade moral e ideológica dos povos, fazendo com que, apenas os seus interesses fossem sanados. Uma imoralidade imensurável que foi mascarada pelos discursos patrióticos, sociais e altruístas, cuja real intenção era fazer com que o pobre se acomodasse enquanto pobre, confiando nos “superpoderes” do Estado, para que os mesmos fossem protagonistas de uma manipulação desenfreada e desprovida de empatia.
É notório que, não apenas no Brasil, mas no mundo inteiro, todas as nações clamam por reforma. Reforma esta que, por diversas vezes, foi realizada em âmbitos políticos, econômicos, sociais e religiosos.
 A diferença é que desta vez, o cidadão precisa se conscientizar da necessidade de reformar os seus conceitos individuais. As nações clamam por uma reforma moral, não apenas na política ou na economia, mas dentro do interior de cada indivíduo enquanto cidadão que convive em sociedade e que precisa do outro para que seus anseios mais ínfimos possam ser, de fato, completamente sanados.
O caráter, a moralidade, a boa conduta, foram, ao longo do tempo, sendo completamente relativizados. As motivações reais, ao longo da história, foram maquiadas por discursos carregados de hipocrisia, que fizeram com que todas as nações vivessem uma falsa sensação de bem-estar.
A ética também foi deturpada. Foi carregada de “boas mentirinhas”, com a justificativa de “não causar grandes problemas” em âmbitos profissionais, políticos e sociais. O conveniente se tornou mais fácil, a omissão e a mentira se tornaram convenientes e poucos são os que pagam um preço para serem amigos da verdade.
Chegou a hora do indivíduo, enquanto pessoa e enquanto cidadão, abrir mão de alguns paradigmas e dar lugar a verdade, a moralidade e a ética em seus conceitos puros. As nações clamam por reforma de seus cidadãos.
A partir destes feitos seremos capazes de enxergar as políticas econômicas dando certo. Enquanto isso, vemos no governo e no dia a dia social, uma disputa de egos, baseada em mentiras e fantasias, onde todos apenas buscam afirmações de suas identidades através de falsas conquistas, para que possam, de alguma forma, suprir momentaneamente as “necessidades” de seus corações.
 Vemos aqueles que são mais bem-intencionados, buscando soluções para o Estado, mas ignoram os aspectos individuais e acabam apenas buscando manobras para tapar as falhas morais dos indivíduos, deixando de lado a real causa de todos estas atrocidades: O caráter.
É valido lembrar que, assim como políticas econômicas são construídas a partir de decisões advindas de uma análise histórica e fática, o caráter de um indivíduo é o reflexo das decisões tomadas diante das experiências de sua vida.
Os portadores de autocomiseração dirão que são o que são por conta da cultura que lhes foi ensinada ou por conta de suas histórias de vida. Já os que são portadores de um caráter resiliente assumem que suas culturas e o que lhes foi ensinado interferem sim em sua identidade moral, porém os mesmos tomam um posicionamento diante dos fatos e reconhecem que são capazes de serem agentes transformadores de si mesmo.
Portando concluímos que não é direita nem esquerda o grande problema ou a grande solução política, econômica ou social. O problema é a moral de cada cidadão e a solução é a reforma do caráter, da conduta e da identidade moral, que refletirão expressivamente nas condutas, nas atitudes e que, por fim, trarão os resultados tão esperados nos âmbitos familiares, sociais, econômicos, educacionais, políticos, religiosos e, inclusive, individuais. Ainda que alguns julguem tais explanações como soluções utópicas, elas infelizmente narram a verdade.
Estagiário do escritório Resina & Marcon Advogados Associados, Graduando em Direito pela Universidade Católica Dom Bosco - UCDB. Tem experiência na área de RH, Departamento pessoal, aconselhamento e liderança jovem.  http://lattes.cnpq.br/3659541617532504
 

Eduardo Marques de Souza Costa Junior
Equipe de apoio