string(25) "noticias-artigos/leitura/"

Delação premiada - Juiz explica porque rejeitou acordo com traficante

17/01/2008 04:56


“Delação premiada implica em ser verdadeiro, estar com espírito aberto e intenção inequívoca de colaborar naquilo que for questionado, não cabendo limitar o universo do que deseja esclarecer.” Este foi o principal motivo para o juiz Fausto Martin de Sanctis, da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, negar o acordo proposto pelo megatraficante colombiano Juan Carlos Ramírez Abadía. O réu queria o direito de ficar em silêncio quando não quisesse revelar algum segredo.

A proposta do traficante era entregar de US$ 30 milhões a US$ 40 milhões, além da rendição de mais quatro comparsas, em troca da agilização de seu processo de extradição, a extinção de denúncias contra sua mulher e a transferência dela para São Paulo. Abadia queria fazer um acordo para ser extraditado para os Estados Unidos com brevidade. Com isso, ele espera obter vantagens das autoridades americanas em troca de informações e dinheiro relacionados às atividades ilícitas que praticou.

Abadia é o suposto chefe do cartel da droga do Valle del Norte, na Colômbia. Ele está detido no Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande (MS) e foi levado para a sede da Superintendência da Polícia Federal de São Paulo, na Lapa, zona oeste da cidade, nesta terça-feira (15/1) para prestar depoimento à Justiça. Abadía passou a noite na sede da PF e chegou à Vara Criminal no meio da manhã.

Em nota à imprensa, o juiz diz que, no decorrer da audiência, Abadia mudou as condições do acordo e mostrou que não estava disposto a colaborar com informações que poderiam ser preciosas para a conclusão do processo. E ressalta que o Ministério Público Federal concordou com a proposta do traficante — à exceção da extinção de sua pena —, “pontuando que já se poderia ter uma parcela da pena diminuída, independentemente da nova manifestação do preso no sentido de revelar fatos e apresentar novos valores que tinham sido ocultados da Justiça Federal”.

Sanctis declara que não é o destino do dinheiro que está em jogo, mas o interesse real do réu falar e contribuir de fato com as investigações. A procuradora República Thaméa Danelon lamentou que o acordo não tenha sido aceito, pois pretendia que o dinheiro fosse revertido para a área social, ONGs e infra-estrutura da Justiça.

“A Justiça Federal brasileira tem que cumprir o seu papel diante dos seus limites legais e constitucionais e na defesa da sociedade brasileira”, alerta o juiz.


voltar
© 2015 Resina&Marcon - Todos os direitos reservados. Design by Carol Borges